Games e Música

O que aconteceu com a música de videogames?

Para onde foram aqueles temas? Eles eram tão bons e memoráveis. Que nem esse aqui:

Ou esse aqui:

E até mesmo esse aqui:

Nós sabemos eles de cor, e por alguma razão eles vieram de games dos anos 80. Mas por quê isso? A música era melhor nos anos 80? Talvez sim, talvez não, mas deve existir alguma explicação. O que mudou?

Com certeza a qualidade do som melhorou e o orçamento para músicas de games aumentou. Agora nós temos acesso a orquestras e até astros do pop cantando o tema principal de games. E os músicos de games tem acesso a equipamentos high-tech para trabalhar. Então como é que a música de games piorou?

Seguinte: não ficou.

Como eu disse, a qualidade do som melhorou bastante, e os músicos de hoje têm mais recursos para compor. Mas ao mesmo tempo, músicas de games modernos ficaram menos memoráveis. Por quê? Bem, por causa de todo esse equipamento. As orquestras e os equipamentos caros fizeram com que as composições se afastassem daquilo que as músicas dos anos 80 eram baseadas: Simplicidade.

Mario, seu simplista!

Na era dos 8-bits, os games só tinham a capacidade de produzir ao mesmo tempo apenas 3 tons distintos para produzir um acorde. Só! Isso quer dizer que os compositores de antigamente não podiam fazer músicas complexas com várias faixas de melodia com acordes complexos e com uma faixa separada só para o baixo. Eles tinham que fazer trilhas sonoras inteiras usando só notas únicas para acordes individuais.

Isso foi uma granda limitação, mas também foi uma vantagem. Aqueles músicos eram forçados a trabalhar na faixa da melodia. Uma ótima melodia é o que faz uma música memorável. É o que faz uma música ficar na sua cabeça para sempre!

Sabe o que faz John Williams um ótimo compositor? Ele é um gênio quando se trata de boas melodias. Como no caso do tema do Indiana Jones. Nem precisa apertar play, você já sabe como é a música:

Mas se você apertou play, você ouviu outro tema memorável do John Williams. E eu nem preciso falar dos temas de Jurassic Park, Esqueceram de Mim e até mesmo do Harry Potter, você sabe todos de cor, né? É isso que faz uma boa melodia.

John Williams, seu cretino!

Mas o que faz a melodia ficar na nossa cabeça? Em parte, é porque a voz humana é capaz apenas de produzir uma nota de cada vez. Então quando uma pessoa quer memorizar uma música ela pensa em notas individuais. Notas individuais e acordes individuais, ao contrário de muitos movimentos complexos em uma composição, é a raiz das músicas mais iconicas. Isso vai desde a Marcha Imperial até Canon em D de Pachelbel.

Mas isso também é verdade para músicas modernas de games, como o tema de Halo.
O coro no começo e os instrumentos de cordas, todos fazem boas melodias. Mesmo sendo um tema com várias faixas é possível ouvir melodias memoráveis. E a percussão ta mandando bem. Esse tema é awesome.

Mas devemos voltar aos velhos tempos? Esquecer das orquestras e tudo mais?
CLARO QUE NÃO, seria burrice.

Depois de tudo que a música de games evoluiu? Temos uma porrada de pessoas talentosas trabalhando em músicas de games. Os velhos compositores ainda estão trabalhando, novos talentos aparecendo, e até mesmo compositores cultuados como Hans Zimmer e Danny Elfman compondo para games. E isso é fudido.

E com a tecnologia, as músicas de games estão muito mais flexíveis. Por exemplo, games antigos como Megaman tinham apenas uma música para cada fase. Mas hoje os programadores de música e som podem intercalar músicas, adicionar e remover faixas a vontade, e mudar a música constantemente para ela combinar com a ação que ta na tela.

E músicas de games antigos como Mario, Zelda e Final Fantasy se beneficiaram com a adição de faixas em seus temas, mas sempre se mantendo fiel às melodias e acordes. Claro, os temas originais continuam demais, mas devemos voltar para isso:
Quando agora nós temos isso?:

Pense em Metal Gear, ele começou assim:
O que é bom e legal, e certo para sua época, mas devemos voltar para isso quando temos Harry Gregson-Williams compondo brilhantemente isso?:

O que seria de Silent Hill sem música?

E, as vezes, as músicas mais efetivas de games são aquelas que não são tão memoráveis. As melhores músicas podem ser aquelas que servem apenas para reforçar o clima do game. Artistas como Akira Yamaoka passou anos estudando a interação entre games e música. Compondo músicas que talvez não sejam icônicas, e talvez sejam até não muito boas se ouvir elas no seu Ipod, mas quando ela é tocada no seu game, no ambiente certo, a imersão do jogador vai para um nível absurdo. E isso é o que um compositor de games deve saber fazer.

Concluindo (finalmente), existe espaço para as músicas com boas melodias e músicas para imersão. Para uma nova franquia, é bom concentar sua música em temas com raíz na simplicidade dos velhos tempos. Uma boa música cria uma boa impressão.

Um jogo bom é um jogo bom, mas um jogo bom com uma ótima trilha…
Isso fica em você.

Fonte: The Escapist

Eduds recomenda um pouco de Shadowy Men on a Shadowy Planet para essa semana.

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